TRAMALHÃO News
EM NOME DO DRAMA
É o puro suco do drama brasileiro, toda sexta-feira caindo no seu colo.
Tem semana que tudo vai calminho, né? Esta não foi uma delas — não para Lima Duarte, pelo menos.
Bom, vamos começar.
📺 AUDIOVISUAL BR
TRÊS GRAÇAS SE DESPEDE / QUEM AMA CUIDA ESTREIA
A Globo enterra Três Graças no sábado, dia 16 — com programação especial na sexta (15) e show da Turnê Três Graças depois do finale. No domingo abre Quem Ama Cuida. O Antonio Fagundes volta às novelas depois de SETE ANOS (a gente sentiu saudade do nosso rei do gado, do nosso eterno “é cilada, Bino”, não sentiu?). A Letícia Colin estreia como protagonista de novela das nove sendo ex-presidiária e suspeita de assassinato — e a estética é anos 90, porque o Walcyr Carrasco aprendeu lá no início que folhetim brasileiro funciona melhor com ombreira.
A trama: fisioterapeuta perde emprego, casa e marido no mesmo dia, vai parar num abrigo, conhece um advogado (Chay Suede), casa por conveniência com empresário rico (Antonio Fagundes) — e o empresário morre na noite de núpcias. Ela vira suspeita. Claro que vira.
A audiência que importa, no entanto, ainda é a da despedida. O mais curioso é que Três Graças passou a vida abaixo de Vale Tudo no Ibope — eu também estou até agora tentando entender como. E aí, na reta final, sobe pra 26,4 pontos no dia 12. Clássico.
Audiência brasileira só ama de verdade o que está prestes a acabar. A gente só dá valor quando perde.
Ah — e tem podcast. O nosso primeiro episódio (primeiro! o primeiro! YAAAAAY) é sobre Três Graças: o que fez essa novela bombar do jeito que bombou.
No Spotify. Escuta. Mas lê as notícias da semana antes.
LIMA DUARTE NA APCA — interpretou muito bem o tio inconveniente na festa de família
Aos 96 anos, homenageado pela trajetória na TV, Lima Duarte fez o discurso. Lembrou de quando tinha 15. Lembrou da Itaboca. Disse que se recusou a entrar na zona porque “só tinha preta”.
Três artistas subiram ao palco e responderam na hora. Carmen Luz foi direta: “As mulheres pretas não estão no mundo para serem recusadas. Levantai-vos.” Shirley Cruz, que estava recebendo Melhor Atriz por A Melhor Mãe do Mundo, disse que não aceita o comentário. Grace Passô reforçou.
E o Lima Duarte se explicou depois, claro. Disse que foi uma “memória da infância, de um Brasil muito duro, de um menino sem formação, vivendo na rua”. Que a fala “nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto”.
Tem uma coisa muito específica que acontece quando um homem de 96 anos é homenageado em premiação cultural: ele acha que a homenagem é uma licença para falar sobre o passado como se o passado não fosse também presente.
Ninguém ouve a história sobre a Itaboca pensando “ah, que retrato sociológico”. A gente ouve pensando “tio, por favor, para”.
ANA PAULA
(é só isso o título mesmo)
Ana Paula não deixou de ser assunto desde que saiu do BBB — e não foi só dentro da casa que ela rendeu. A “gata” simplesmente fez a Globo bater recorde de audiência até no GNT, meu povo. Tudo o que essa mulher toca vira views.
A participação dela no Saia Justa — agora comandado pela Eliana, com Bela Gil, Erika Januza, Juliette Freire e Tati Machado — fez o programa virar o de maior audiência ao vivo do GNT desde 2020. Não exagero: 149% maior que o recorde anterior. Dez vezes superior à estreia da temporada 2025. Na TV paga, picos de 1 ponto.
Repete comigo: NA TV PAGA. UM PONTO.
Antes disso, ela já tinha turbinado o Luciano Huck em 27 de abril — recorde também. O Brasil acordou e descobriu que o que queria era Ana Paula em todo programa.
Amo a diva, mas assim — já deu de “permita-se ser mal vista” e “os homens têm medo das mulheres que voam”. Já entendemos o recado (rs).
A EMPREGADA — finalmente em casa
Nesta quinta, dia 15, A Empregada chega ao Telecine e Globoplay. Sydney Sweeney. Amanda Seyfried. Paul Feig dirigindo. 4,7 milhões de pessoas foram ao cinema ver esse filme esse ano — maior público nacional de 2026 até agora. Baseado no bestseller de Freida McFadden.
Quem não foi ao cinema — e são muitos — vai com expectativa formada. A crítica brasileira não chegou a consenso:
Rolling Stone Brasil (Angelo Cordeiro): “A Empregada sufoca seus temas sem interesse real em aprofundá-los” — violência doméstica, desigualdade social e gaslighting existem só como pano de fundo para as reviravoltas. Guilty pleasure declarado.
Omelete: Paul Feig enxergou na adaptação “uma espécie de Um Pequeno Favor 3 espiritual” — e destruiu as sutilezas do livro no processo. A sequência de perseguição do clímax é chamada de “insossa”. A força das reviravoltas, porém, é “grande o bastante para não estragar a experiência por completo”.
Observatório do Cinema (Diego Almeida) — 8/10: “Longe de ser apenas mais um suspense psicológico, A Empregada surge como candidato a um dos filmes mais provocativos do ano.”
Consenso: a crítica se divide entre quem lamenta o desperdício de temas densos e quem aceita o pacto do guilty pleasure sem a parte do “guilty”, só o pleasure mesmo.
SESSÃO DE TERAPIA
No dia 22, começa a nálise. Sessão de Terapia tem sexta temporada no Globoplay. Caio Barone está de volta. Essa série tem uma lealdade de público já, na minha opinião, uma das melhores produções brasileiras da atualidade.
O AGENTE SECRETO — a ressaca que não passa
Quatro indicações ao Oscar. Nenhuma estatueta. Era a pior coisa que podia acontecer — e foi, na noite de 15 de março. Mas a coisa que ninguém quer admitir é que isso já era o segundo prêmio do filme, na ordem inversa. Antes do Oscar, O Agente Secreto levou dois Globos de Ouro numa única noite — coisa que nenhum filme brasileiro tinha feito. Wagner Moura virou o primeiro ator brasileiro a ganhar Melhor Ator em Drama.
Essa semana o filme volta a ser assunto: a Semana ABC 2026 (13 a 15 de maio, na Cinemateca Brasileira) tem masterclass com Evgenia Alexandrova, diretora de fotografia russa do filme — a mulher que ganhou o prêmio de cinematografia em Cannes 2025.
A BOMBA DA SEMANA: O ÁUDIO DO FLÁVIO
Como newsletter de drama brasileiro não vive só de novela e Ibope, no dia 13 de maio, vazou um áudio do Flávio Bolsonaro cobrando o banqueiro Daniel Vorcaro por atrasos nos repasses pra produção de Dark Horse, o filme biográfico do seu pai, o “Bolsonarão”, nosso homem de bem. O acordo previa R$ 134 milhões. R$ 61 milhões já tinham sido pagos. O áudio foi gravado em setembro de 2025 — véspera da primeira prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero.
Eu te juro, MEU POVO. CINEBIOGRAFIA. DO BOLSONARO. COM ÁUDIO COBRANDO DINHEIRO DE BANQUEIRO.
Independente de qual lado você está, sobre uma coisa todos concordamos: o caso ilustra um modelo bem conhecido de captação de recursos no audiovisual brasileiro, o tal do contato pessoal. E expõe esse modelo de um jeito que nenhum painel de Cannes ia conseguir.
Falando em Cannes: o festival abriu essa semana e a Spcine montou agenda inteira pra vender SP como hub latino-americano de audiovisual. Quase ninguém comentou.
Adivinha por quê? Completamente ofuscada e engolida pelo escândalo do vazamento do áudio de Flávio Bolsonaro. Enquanto Cannes debate painéis burocráticos sobre fundos de financiamento e hubs de inovação, o caso real mostra que as grandes produções brasileiras ainda se movem pelo “contato pessoal”, cobranças diretas a banqueiros e repasses milionários de origem suspeita.
É por isso que novela da certo, o público e a mídia sempre preferem o “drama da vida real” (a cinebiografia de Bolsonaro financiada por um banqueiro preso na Operação Compliance Zero) do que o cinema oficial levado à Europa.
A IA CHEGOU NO CINEMA NACIONAL
Em fevereiro rolou o WAIFF Brasil, primeira edição do festival internacional de filmes feitos com IA em São Paulo: 38 obras brasileiras, 400 inscrições, exigência de pelo menos três ferramentas de IA generativa por filme.
A pergunta deixou de ser “vai acontecer”. A pergunta agora é “quem é dono do quê”.
E enquanto o mercado discute, o roteirista médio brasileiro recebe uma proposta pra “ajustar a IA”, num eufemismo profissional pra “fazer o trabalho com metade do crédito”.
🎵 MÚSICA NACIONAL
Esse fim de semana tem Semana S 2026 com shows gratuitos simultâneos em todo o Brasil: Gloria Groove na Praça Mauá no Rio, Luísa Sonza no DF, Ana Castela em Minas, Michel Teló, Solange Almeida, Fresno no Sul. Dias 16 e 17 de maio.
Quem está em São Paulo vai ter de escolher: descansar ou encarar a Virada Cultural nos dias 23 e 24. Mais de 1,2 mil apresentações gratuitas, 21 palcos, 4,8 milhões de pessoas esperadas. Thiaguinho, Marina Sena, Titãs, Seu Jorge, Manu Chao, CPM22, Gaby Amarantos, Joelma — tudo no centro da cidade, com 16 atrações internacionais de graça.
(Dica: o centro de SP nesses dois dias parece outro planeta. Vale a canseira.)
Gloria Groove segue com Serenata da GG em alta — 10 milhões de streams, parcerias com Thiaguinho, Mumuzinho, Ana Carolina e Menos É Mais. Quem pegou o volume 2 sabe exatamente do que estou falando.
🌍 MÚSICA INTERNACIONAL
O BTS voltou com Arirang. Álbum de 14 faixas, lançado em março, primeiro disco de estúdio do grupo desde Be (2020). Os sete integrantes completaram o serviço militar coreano e voltaram com turnê mundial rodando até março de 2027 — mais de 80 shows, 30 cidades.
Brasil: três datas em São Paulo, dias 28, 30 e 31 de outubro. Se você tem ARMY na sua vida, esse calendário já virou compromisso familiar.
The Strokes anunciaram Reality Awaits para o dia 26 de junho. Rick Rubin produziu. Primeiro álbum da banda desde The New Abnormal (2020). O single “Going Shopping” chegou às plataformas depois de ser distribuído em fita cassete para fãs primeiro. Vai dizer… a banda tem os truques de marketing dela, né? AMEI!
🔥 EM PARALELO, ESSA SEMANA
A explosão de gás no Jaguaré em SP no dia 11 destruiu 46 residências, deixou 1 morto e alterou a audiência da TV aberta. Tragédia em horário comercial vira plantão e plantão vira pico de Ibope. Brasil 2026.
Quem Ama Cuida vazou antes da estreia. Detalhes circulam em sites de fofoca desde o começo do mês — o que talvez seja o evento de marketing que a Globo não quis assinar.
As trends do TikTok de maio 2026 continuam fazendo o que sempre fazem: decidindo o que vai tocar em todo lugar que você entrar nos próximos 30 dias. Claro, mesmo sem você ter pedido.
A próxima semana abre com Quem Ama Cuida e ninguém sabe ainda se o tom vai ser melodrama ou novela de redenção pesada. O Antonio Fagundes voltou, eue spero que nãos eja cilada, bino.
Até sexta, gente.
