DRAMALHÃO DA SEMANA
Bom dia dramáticos, como passaram a semana?
Eu não sei vocês, mas Manuela Dias dormiu com dor de cabeça, posso afirmar!
O CAOS DA SEMANA
Amora Mautner, diretora de Quem Ama Cuida, repostou nos stories um tweet que elogiava a atriz Belize Pombal pelo papel que ela tem na nova novela. Até aí, tudo certo.
O problema: o mesmo tweet chamava Manuela Dias de “autora racista” — referência ao Vale Tudo, onde Belize foi escalada como secretária subordinada a gente branca. Nas palavras do autor do post: “Muito simbólico ver Belize nesse núcleo. Lindo de ver, ainda mais depois do último papel de capacho de gente branca, funcionária super capacitada em cargo de secretária, em novela de autora racista que ela fez.”
Amora repostou. Repercutiu. Deletou. E veio a público: “Ontem, repostei um texto sem ler ele por completo. Só vi o elogio para a Belize, que é maravilhosa mesmo. Meu erro foi ter postado sem ler o que, a princípio, parecia um elogio, mas também era uma afirmação muito injusta.”
Uma diretora da mesma empresa jogando pedra na autora da mesma empresa. Pelos stories. “Sem ler o post completo.” A discussão que abriu não era nova — a Manuela Dias já havia sido acusada de racismo durante o processo do próprio Vale Tudo, quando até Taís Araújo, que protagonizava o remake, veio a público discordar das decisões da autora. Tem coisas que a retratação não desfaz.
🎬 AUDIOVISUAL BR
Caçador de Marajás chegou ao Globoplay em outubro do ano passado e merece ser mencionada toda semana até todo mundo ter assistido. São 7 episódios dirigidos e roteirizados por Charly Braun, que pesquisou o projeto por dez anos. A história da família Collor: a ascensão de Fernando, a relação com o irmão Pedro, o impeachment. Imagens reais e reconstituídas lado a lado com uma precisão que, em certos momentos, me deixou embasbacada.
As críticas se concentram no que a Globo escolheu não contar: seu próprio papel na construção da imagem de Collor durante os anos de presidência. Uma empresa documentando como ela ajudou a criar o vilão do próprio documentário que ela está produzindo. (Mas também né? Quem vai se auto-incriminar?)
Icônica: de Faxineira à Fashionista estreou no Globoplay essa semana, MAIS UMA novelinha vertical original. Essa com roteiro de Gustavo Reiz e direção de Roberta Richard. O formato de celular cresce e tem gente com currículo apostando nele. Por aqui ainda prefiro a moda antiga. Vamos ver no que vai dar.
Semana mais parada nos lançamentos? Então vai uma revisita em duas séries que merecem mais barulho do que tiveram:
Homens? — criada por Fábio Porchat, disponível no Prime Video. O personagem principal enfrenta impotência. Isso já seria suficiente pra fazer uma série razoável. Mas o pênis ganha voz — a de Rafael Portugal — e começa a ter conversas com o dono. É exatamente tão engraçado quanto parece, e um pouco mais sério do que você esperava. Esse é o truque.
Eleita — Clarice Falcão como Fefê Pessoa, influenciadora digital que se candidata a governadora “na zoeira” e ganha. Roteiro assinado por Célio Porto, Clarice Falcão, Matheus Torreão, Rafael Spínola e Carolina Jabor (que também dirige). Brasil distópico? Mais ou menos. O problema é que parece possível demais pra ser ficção de verdade — e isso é exatamente o que faz a série funcionar.
🏆 CINEMA BR EM CANNES
Enquanto a gente discute stories deletados, tem brasileiro ganhando Cannes. Laser-Gato, curta dirigido por Lucas Acher (30 anos, doutorando em Cinema na NYU), levou o primeiro lugar na mostra La Cinéf do 79º Festival de Cannes — a principal vitrine de novos talentos das escolas de cinema do mundo. Foram 2.700 inscritos de 662 instituições. Passaram 19. Ganhou 1. O nosso.
A história: Theo, um adolescente ansioso de São Paulo, brinca com um laser pointer apontado pra rua. O gato do vizinho tenta caçar a luz, se machuca feio, e o moleque embarca numa jornada noturna pelo centro de SP tentando salvar o bicho. Suspense, realismo fantástico e humor numa corrida contra o tempo. O júri, presidido pela cineasta Carla Simón, premiou com €15 mil (R$ 83 mil) para desenvolvimento de futuros projetos.
Coprodução Brasil-EUA-Reino Unido e tem São Paulo como cenário.
🎵 MÚSICA NACIONAL
Ludmilla reuniu João Gomes, Zeca Pagodinho, Samuel Rosa e Veigh em “Bate no Peito” — faixa oficial da Seleção, clipe lançado na sexta (25/05). Samba, sertanejo, rap e rock no mesmo lugar é ou bagunça ou manifesto. Aqui virou os dois. É o tipo de música que vai ficar nos bares até depois da Copa — independente do resultado em campo. Detalhe que vale registrar: todos os artistas doaram seus royalties ao Instituto Fome de Música, convertidos em doações de alimentos pelo Mesa Brasil Sesc.
Ludmilla e Grupo Triii regravaram “Viro Vira Virou” como presente pra filha Zuri. O tipo de coisa que não precisa de clipe pra fazer sentido.
🌍 MÚSICA INTERNACIONAL
The Rolling Stones anunciaram “Foreign Tongues” — 25º álbum de estúdio, lançamento em 10 de julho, produzido por Andrew Watt. No time: Paul McCartney, Steve Winwood, Robert Smith (The Cure) e Chad Smith (RHCP). A capa é uma pintura do artista americano Nathaniel Mary Quinn — um retrato em pastel que funde os rostos de Jagger, Richards e Wood numa só face, inspirada em Francis Bacon. Jagger achou “um pouco assustadora” no começo. A banda votou por unanimidade e ficou com ela. Quem ainda consegue ligar pra esses colaboradores não está fazendo disco por obrigação.
Madonna confirmou “Confessions II” pra 3 de julho — sequência direta de 2005, vinte e um anos depois (o tempo não pede licença). Produção de Stuart Price, o mesmo do original. Single “Bring Your Love” com Sabrina Carpenter já fora: duas mulheres que definem pop em décadas que mal se tocam, dividindo a mesma faixa. A capa, fotografada por Rafael Pavarotti, mostra Madonna empoleirada sobre caixas de som roxas, coberta por véu púrpura.
The Strokes voltam após sete anos com Reality Awaits, produzido por Rick Rubin. O single “Going Shopping” foi apresentado em abril. Dá pra ter expectativa — com moderação.
🔥 CULTURA POP
“2026 é o novo 2016” tomou o TikTok essa semana — Vines, memes de época, músicas daquele verão específico. Dez anos é tempo suficiente pra nostalgia funcionar sem precisar de contexto. 2016 virou sinônimo de uma internet que ainda não tinha sido dominada por algoritmos agressivos e IA generativa. A nostalgia aqui funciona como fuga — e “Lush Life” de Zara Larsson voltou pras paradas por causa disso. (2016 foi aquilo mesmo.)
A coreografia de “Algoritmo do Amor” (Anitta feat. Pedro Sampaio) passou de 500 milhões de views no TikTok essa semana. Se você ainda não viu, o algoritmo vai mostrar pra você mais cedo ou mais tarde — sem precisar de convite.
Bom, dramáticos. Por hoje isso é tudo o que eu pude oferecer.
Gostasse?
Até semana que vem.







